OS VERDADEIROS BENEFÍCIOS DO EXERCÍCIO FÍSICO
- Fabio Raimundo
- 14 de abr. de 2020
- 6 min de leitura
Com tanta gente a praticar exercício, pelo menos pelo número de videos colocados nas redes sociais, observo que as razões pelas quais a maior parte das pessoas que publicam esses videos, não são as mais correctas. Ora, para publicitar o seu próprio corpo, ou associados a marcas dos mais variados âmbitos do exercício físico, desde marcas de roupa, equipamentos desportivos e suplementos, estes não serão certamente os grandes benefícios do exercício físico, e não deverá ser o âmbito dos Personal Trainers que ambicionam o reconhecimento da nossa profissão na área da saúde.
Será este o caminho correcto, para publicitar os benefícios do exercício físico ? será que evidenciar um 'six pack', ou um suplemento que 'promete' emagrecer, a melhor forma de incentivar à prática desportiva? a resposta parece-me evidente.
Então, perguntam vocês, qual será a melhor forma ?
Ora, a melhor forma, é sem dúvida, dar a conhecer os verdadeiros benefícios que o exercício fisico pode trazer para o vosso corpo, não só a nível estético, como outros que irei abordar de seguida.
Reparem que já estamos em quarentena há um mês. Já viram o descontrolo hormonal que está presente no nosso corpo? a gula, a preguiça , as dores nas costas de horas levadas no sofá a ver séries, a falta de disciplina, etc etc... para quem treinava sério, com cargas moderadas/elevadas, é obvio que esta diferença irá ser manifestada com diversos sintomas, e mesmo aqueles que treinavam no ginásio e agora continuam a treinar em casa, sentem que não é a mesma coisa. Isto para vos dizer que o nosso corpo tem uma capacidade enorme de adaptação quer ao treino, quer ao sedentarismo :)
Então quais são os verdadeiros benefícios do exercício fisico ?
Vamos lá enumerar alguns:
1) Doença cardiovascular
A principal causa de mortalidade relacionada à saúde de homens e mulheres nos EUA é a doença cardiovascular (DCV). Benefícios significativos para a saúde cardiovascular podem ser alcançados com a participação a longo prazo em programas de exercício cardiovascular. Para abordar adequadamente a questão de "quanto exercício é suficiente", o Colégio Americano de Medicina Desportiva reconheceu a necessidade de atividade física e exercício, e atualizou sua posição sobre a quantidade e qualidade recomendadas de exercício para o desenvolvimento e manutenção da aptidão muscular e cardiorespiratória, e flexibilidade em adultos saudáveis (ACSM, 2006). Níveis mais altos de aptidão cardiovascular estão associados a uma redução de 50% no risco de DCV nos homens (Myers et al., 2004). Myers e colegas demonstraram que o aumento da atividade física para 1.000 quilocalorias por semana está associado a uma redução de 20% da mortalidade em homens. Hu e colegas (2004) mostraram que mulheres fisicamente inativas (que praticam menos de 1 hora de exercício por semana) dobram o risco de mortalidade por DCV em comparação com as mulheres fisicamente ativas. Deve-se enfatizar que Haskell (2003) observa que as DCV são um processo multifatorial e que “não fumar, ser fisicamente ativo, ter uma dieta saudável para o coração, permanecer razoavelmente magro e evitar o stresse e a depressão são os principais componentes de uma prevenção eficaz das DCV. programa."
2-4) Diabetes, sensibilidade à insulina e metabolismo da glicose
A diabetes atingiu proporções epidemicas, afetando 170 milhões de indivíduos em todo o mundo (Stumvoll, Goldstein e van Haeften, 2005). Uma conseqüência infeliz da inatividade física é o enfraquecimento dos mecanismos reguladores de insulina do corpo. Níveis elevados de insulina e glicemia são características envolvidas no desenvolvimento de diabetes mellitus não dependente de insulina. Quando a função da insulina começa a quebrar, há um aumento nos níveis de açúcar no sangue do corpo, com o eventual aparecimento de 'pré-diabetes' e, em seguida, diabetes tipo 2. A diabetes é uma doença crescente em jovens e adultos, principalmente como resultado da obesidade e inatividade. O exercício aeróbico regular aumenta significativamente a sensibilidade à insulina e o metabolismo da glicose, o que significa que as células do corpo podem transportar glicose de maneira mais eficiente para as células do fígado, músculo e tecido adiposo (Steyn et al., 2004). Melhorias no metabolismo da glicose com treino de força, independentemente de alterações na capacidade aeróbica ou percentual de gordura corporal, também foram demonstradas (Pollock et al., 2001). Embora os mecanismos de melhoria não sejam totalmente compreendidos, parece que o treinamento resistido e o exercício aeróbico oferecem um forte papel protetor na prevenção do diabetes mellitus não dependente de insulina.
5) Hipertensão
A hipertensão é um grande problema de saúde. A pressão arterial sistólica e diastólica elevada está associada a um maior risco de desenvolver doença cardíaca coronária (DCC), insuficiência cardíaca congestiva, acidente vascular cerebral e insuficiência renal. Há um aumento dobrado no desenvolvimento dessas doenças quando a pressão arterial é de 140/90 mmHg (Bouchard & Despres, 1995). É necessário que o personal trainer e o profissional de fitness instruam os clientes que a redução de peso e a ingestão de álcool e sal em sua dieta também podem ajudar a reduzir a pressão arterial elevada em muitos casos. O exercício aeróbico de intensidade moderada (40% a 50% do VO2máx), realizado três a cinco vezes por semana, durante uma sessão de 30 a 60 minutos, parece ser eficaz na redução da pressão arterial (quando elevada). A evidência de que o exercício de maior intensidade é mais ou menos eficaz no controle da hipertensão é, atualmente, inconsistente devido a dados insuficientes. Em uma meta-análise (uma técnica estatística que combina os resultados de vários estudos) de 54 ensaios clínicos de intervenção em exercícios aeróbicos, as conclusões (em homens e mulheres hipertensos) incluíram uma redução na pressão arterial sistólica em uma média de 3,84 mmHg e 2,58 mmHg para pressão arterial diastólica (Whelton et al., 2002). Embora o exercício aeróbico de rotina geralmente não afete a pressão sanguínea de indivíduos normotensos, o exercício aeróbico habitual pode ser protetor contra o aumento da pressão sanguínea comumente observado com o aumento da idade (Fagard, 2001).
6-8) Triglicerídeos no sangue, colesterol HDL e colesterol LDL
A ligação entre colesterol e DCC foi bastante bem estabelecida através de estudos de longo prazo de indivíduos com altos níveis de colesterol no sangue e a incidência de DCC. Os níveis de colesterol lipoproteico de alta densidade (HDL-C) {o bom colesterol} estão inversamente e independentemente associados à redução do risco de doença coronariana (Neiman, 2003). Está bem estabelecido que um estilo de vida sedentário contribui significativamente para o desenvolvimento de DCC e elevação desfavorável das gorduras sanguíneas e dos níveis de colesterol; a atividade física desempenha um papel importante na diminuição desses riscos à saúde. Os limiares de exercício estabelecidos a partir de estudos de treinamento longitudinal e transversal indicam que 15 a 20 milhas / semana de corrida ou caminhada rápida, equivalente a 1200 a 2200 quilocalorias de gasto energético, podem diminuir os triglicerídeos no sangue em 5 a 38 mg / decilitro ( Durstine et al., 2002). Foi demonstrado que o mesmo limiar de exercício (15 a 20 milhas / semana de corrida ou caminhada rápida) eleva o HDL-C (uma alteração positiva) 2 a 8 mg / decilitro. Durstine e colegas continuam que os estudos de treino físico raramente mostram uma diminuição no colesterol total ou no LDL-C (o colesterol ruim), a menos que haja perda de peso corporal ou diminuição da gordura da dieta (ou ambos). Embora alguns estudos tenham demonstrado impacto favorável do treino de resistência sobre lipídios no sangue, outros não relataram alterações. Pode ser que os programas de resistência que melhor modifiquem os perfis lipídicos no sangue incorporem maior massa muscular e exercícios multiarticulares com uma prescrição de alto volume total (repetições x séries x carga). Pesquisas adicionais precisam ser realizadas para controlar alterações na composição corporal, variações diárias das lipoproteínas, fatores alimentares e possíveis outras adaptações ao treino, para fornecer um resumo mais credível do efeito do treino resistido nos lipídios e lipoproteínas do sangue.
Como podem ver, os benefícios do exercício físico, muito amplos, e bem mais importantes do que apenas perder peso, ou ficar com um 'six pack'.
Além disso, não me quero alongar mais, pois todos sabemos que textos grandes, nos dias de hoje, não são do interesse da maior parte das pessoas.
Antes de concluir, deixem-me dizer-vos que para além dos benefícios apresentados, ficou a faltar falar dos benefícios do exercício físico relativos ao cancro, ataques cardíacos, osteoporose e sarcopenia, composição corporal e obesidade, artrite, stress, ansiedade, depressão, auto estima, entre outros.
Que esta abordagem sirva para influenciar principalmente os Personal Trainers que querem marcar a diferença na área. Não interessa o número de seguidores nas redes sociais, o mais importante é a segurança que damos aos nossos clientes e a motivação para a adesão a programas de treino a longo prazo.
Um abraço a todos!
Fábio Raimundo
Personal Trainer
Mestre em Exercício e Saúde



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